Sertanejo: A Droga Lícita do Brasil

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O Brasil está mudando e o gosto das pessoas também!

Tenho medo da música sertaneja tornar-se a nova MPB, todos os dias aparece cada vez mais uma nova dupla, uma nova cara, um novo estilo. O que antes era música raiz, trilha sonora do fim de semana na fazenda, agora virou produto comercial barato! Todo mundo consegue cantar sertanejo, e para minha preocupação é que existe um grande público que aprecia esse novo lixo de ritmos denominado Novo Sertanejo ou Sertanejo Universitário!

Tudo bem que sou a favor do novo e adoro a miscigenação artística que existe nesse meu país. Mas como definir por exemplo o que é o Luan Santana. Não é Pop, nem Rock, Samba e muito menos Sertanejo!

Eu sou do tempo em que Chitãozinho e Xororó cantava um fio de cabelo no meu paletó... e naquela época nem existia chapinha, todas a mulheres tinham seus cabelos esvoaçantes, rebeldes e eram felizes e quando queriam variar o sertanejo escutavam Zezé di Camargo e Luciano ou Leandro e Leonardo.

Na época em que a Rede Globo lançou os Amigos já era muita coisa, aquele bando de caipiras cantando músicas de corno, a chorar pelo amor perdido ou não recíproco, da cachaçada que fizeram etc. Porém era diferente, era bonito, foi novidade e ate merecia atenção! Era uma maravilha, era uma vez ao ano.

Hoje ao ligar a televisão só existem comerciais de CDs, DVDs e coletâneas sertanejo, já quando pensava que não podia existir mais nada, os novos cantores começaram a regravar os sucessos antigos, e o pior é que existe também Remixes, uma coisa do tipo: Sertanejo Dance!!! Uaalll quanta criatividade, quanto capitalismo, quanta futilidade!

Pelos poderes de Greisco!!! Eu já não tenho força pra tanta poluição sonora!

Qualquer um consegue cantar sertanejo hoje em dia, se antes era só colocar um chapéu e rasgar a voz, hoje em dia é muito mais fácil e cômodo é só colocar uma roupinha colorida e escrever sobre o fora que você levou, ou a menina não quis te adicionar no facebook, coloca uns efeitos psicotrances, misturados com uma bateria, uma sanfona e um violãozinho lá no fundo que vai ser sucesso GARANTIDO!

BRASIL, meu Brasil brasileiro... Bons tempos eram a época em que Renato Russo cantava que país é esse, que Cazuza achava tudo uma babaquice, uma caretice, e quando Elis Regina diz que depois deles não apareceram mais ninguém, ela tava apenas a fazer uma premonição do que seria a babaquice desse nosso país. É uma pena que os Grandes cantores se foram, e Raul não ressuscitou ao terceiro dia! As coisas boas sempre acabam muito rápido.

Mas nem tudo está perdido! Caetano está vivo, acabou de gravar um cd com uma carinha nova que é ótima, a Maria Gadú, Rita Lee ainda tem seus cabelos vermelhos, Maria Bethânia ainda faz muito sucesso na Europa, Nando Reis saiu do Titãs mas está cantando muito, Paula Toller e o Kid Abelha ainda fazem shows, Vanessa da Mata é linda e tem uma referência artista muito bacana, Pitty mesmo imitando a Amy Winehouse é autêntica, existem muito mais coisas bacanas, pesquisem, Bebel Gilberto é fantástica, Céu é magnífica.

Vamos parar e analisar o que ficou pra trás, e descobrir o que está ao nosso alcance e não conseguimos ver. Quando pensarmos em música, vamos pensar em qualidade, música é vida, a música é a única movimentação artística que atinge direto em nossa emoção! Não vamos deixar com que esse lixo musical faça parte na nossa história, da nova geração.

LuiZHENrique Dias

Um comentário:

S. Rodrigo disse...

Uau Luh, com esse texto você conseguiu dar o grito que estava preso em minha garganta!
E que bom que você falou de Bebel Gilberto e de Céu, fico triste ao imaginar que elas fazem mais sucesso lá fora (e há muito tempo) do que aqui na terra que as gerou.... lamentável
E no fim das contas quem perde somos nós... Parece o caso de um colega meu que só foi descobrir a existência do Vinícius de Moraes quando foi morar no Canadá... Oo
Mas em contrapartida ao pseudo-sertanejo temos também a emancipação da música alternativa, uma sucessão de bandas que fazem a música pela música e não tentam ser a melhor banda de todos os tempos da última semana para gravar e regravar o melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado, conseguindo gerar o maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos.
E pra encerrar, pelo visto, não temos só a Elis como profetiza da música:

“Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então”

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